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Insônia afeta a memória e pode provocar doenças graves; situação piorou na pandemia

22 mar 2021 Notícias

Além da sonolência durante o dia, sono de má qualidade deixa as pessoas irritadas, dispersas, esquecidas e improdutivas.

Pesquisas apontam que a qualidade do sono piorou durante a pandemia do novo coronavírus. Um dos motivos é, justamente, a alteração na rotina que começou há mais de um ano e que, ainda em 2021, segue prejudicando atividades em casa e no trabalho. Essas mudanças no dia a dia, a preocupação com a própria saúde e de familiares, o desemprego, a falta de perspectivas para o retorno às atividades, têm provocado estresse, depressão e ansiedade.

“O sono é influenciado por diversos fatores, e o retorno a um sono de qualidade poderá demorar a acontecer, principalmente quando não for associado a um diagnóstico e a um tratamento específico”, avaliou Nilson André Maeda, otorrinolaringologista especialista em Medicina do Sono.

Pesquisas recentes indicam que o número de pessoas com insônia no Reino Unido aumentou. Os estudantes apontam que antes da pandemia, uma em cada seis pessoas sofria com o problema. Agora, para cada quatro pessoas, uma tem insônia. Na Grécia, o problema foi relatado por 40% dos entrevistados, enquanto na China a taxa de insônia subiu de 14% para 20% durante o isolamento social.

“Confinadas, as pessoas perderam diversos referenciais e o período de sono foi um dos primeiros a serem afetados. A rotina de trabalho remoto, associada aos cuidados com a casa, por exemplo, fizeram com que o horário tradicional de dormir e acordar fossem severamente modificados, gerando problemas como irritabilidade e sonolência durante o dia”, completa o médico.

Apneia e memória

Apesar de ser muitas vezes negligenciado pelas pessoas, o sono de má qualidade influencia no surgimento de doenças mais graves ao longo da vida. Uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos, revelou que pessoas com apneia obstrutiva do sono sofrem perda de tecido em regiões do cérebro, que auxiliam no armazenamento da memória. O estudo foi publicado na revista Neuroscience Letters.

Neste tipo de apneia, a respiração é obstruída diversas vezes durante o sono. Trata-se de um problema que, muitas vezes, só é identificado por meio da avaliação de um especialista e de exames específicos, já que o próprio paciente pode ter dificuldade para notar o quadro.

“Na apneia obstrutiva do sono, a via respiratória alta é bloqueada, interrompendo a respiração e reduzindo a oxigenação, de maneira intermitente. Muitas vezes, quem nos auxilia no diagnóstico é quem compartilha a cama com o paciente, além do exame de polissonografia. Geralmente, a história é de ronco alto, sonolência diurna e queixa de um sono não reparador. O tratamento pode ser clínico, cirúrgico ou a associação dos dois, após uma avaliação individualizada de cada paciente”, afirmou o otorrinolaringologista.

O estudo demonstrou que a dificuldade em respirar durante o sono pode levar a danos cerebrais e prejuízos para a memória e raciocínio.

Muito mais que cansaço

A crença de que noites mal dormidas geram “apenas” dias cansativos é falsa. Não bastasse a sonolência durante o período diurno, o sono de má qualidade tem a capacidade de deixar os indivíduos mais irritados, dispersos, esquecidos, improdutivos enquanto estão acordados e até perigosos, caso estejam dirigindo um automóvel.

“Além disso, diversos problemas de sono, como o ronco, deterioram a qualidade de vida também de companheiros e companheiras que convivem com os pacientes. Em um período de confinamento e grande estresse, esse tipo de conflito pode gerar grandes danos a relacionamentos e à própria saúde emocional de famílias inteiras. É extremamente importante respirarmos bem durante o sono, sem obstrução nasal ou faríngea”, afirmou o médico, ressaltando a importância do tratamento.

“O diagnóstico e o tratamento médico adequados permitem reduzir e, em alguns casos, eliminar problemas de sono responsáveis por deteriorar a qualidade de vida das pessoas. São distúrbios que não devem ser ‘deixados para depois’. É preciso e aconselhável buscar auxílio médico. E lembrando que, em tempos de necessidade de uma boa imunidade, é fundamental termos a quantidade e a qualidade de sono adequadas”, finaliza.

Fonte: Folha Vitoria

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